Ambrosino Tilésio
Suco de Limão Azedo

O wordpress enviou ao Confraria, que curte seu intervalo na chuva da cidade, um relatório falando dos avanços, progressos, evoluções e vitórias da nossa estimada página. É uma prova de que nossa página é, sem sombra de dúvida, a mais visitada do mundo inteiro.

Fiz pequenas modificações para adaptar a leitura. Aproveitem:

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Minty-Fresh™.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 37.865.279,200 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 489.254.458 747s lotados, abarrotados, prestes a serem derrotados pela gravidade por causa de tanta gente.

Em 2010, o Confraria escreveu 2 novos FANTÁSTICOS artigos, aumentando o arquivo total do seu blog para 6584 artigos, fora o show.

O seu dia mais activo do ano foi 25 de janeiro com 30000000000 visitas. O artigo mais popular desse dia foi Ragnarok. Em 25 de janeiro também nascia o filho do Fúlvio e segundo o Google era possível acompanhar o parto ao vivo pelo Confraria. Muitas pessoas foram enganadas pela ferramenta de busca e outras não tinham mais nada pra fazer.

De onde vieram?

Da Terra? De Marte? De Vênus? Do céu e do inferno? Alguns diriam de Krypton, outros de Urano, já eu prefiro acreditar que vieram do Bairro do Limoeiro. Eram os deuses astronautas? Eles vêm de todo lugar? Não se sabe? Digo, não se sabe! O Grande Mistério ainda está aí e por aí se perpetuará.

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por gloria maria pelada, perguntas intelectuais, maria pelada, espinhas no braço e buça
(nessa eu nem mexi. juro. por que deveria mexer nisso? espinhas no braço? gloria maria pelada?)

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010. Agora imagine os menos visitados. Vai, faz um esforcinho. Pensar não dói. Pode cansar, mas doer não dói não. Dói mais fazer um bolo, por causa dos movimentos com o ombro, se você não tiver máquinas que mexam tudo por você.

1

Ragnarok julho, 2008
3 comentários

2

Cacilda Becker fevereiro, 2009
1 comentário

3

SSSSSSSSSSSSSSSSobre abril, 2008

4

Chafurdando na Lama março, 2009
1 comentário

5

O Pecaminoso Lado Da Sinestria janeiro, 2009

Alguns dos seus artigos mais populares foram escritos antes de 2010. A sua escrita permanece! Pense em escrever de novo sobre esses temas.

Tive uma ideia. Vou republicar o que já foi escrito. Se querem que eu escreva de novo sobre os mesmos temas, nada mais fácil, não?

A Confraria deseja a todos um ótimo 2011. Será o ano do Coelho, as coisas serão mais felpudas do que foi o Ano Hardcore do Tigre. Também será o ano de Mercúrio, o deus da comunicação e protetor dos ladrões e patifes de bom coração. Quem quiser se comunicar conosco e nos chamar praquele churrasquinho (aceitamos picanha com alecrim e medalhões com mostarda) com mulatas a rebolar o samba-enredo da Unidos da Confraria do Cynar, entre com a bebida que nós entraremos com a carne.

Em breve teremos horóscopo. Aguardem.

Que venha 2011!

Dr. Bartolomeu
Bolacha Vencida

Chego no caixa do supermercado e coloco a garrafa de shoyu na esteira.

-”Só isso? Não vai levar um ovo de páscoa não?”
-”Ehehe…não. Valeu.”
-”Leva aí, tá baratinho. 5 reais.”
-”Opa. Legal. Mas hoje vou só de shoyu mesmo.”
-”Tem certeza, cara?”
-”Tenho sim. Valeu aí.”
-”Falou cara. Obrigado.”
-”Obrigado. Falou.”

Dr. Bartolomeu
Enchente Reversa

Vivendo no lixo.
Caixas empilhadas.
Convivendo com cupins e baratas.
Infiltração na parede.

E eles não querem sair.

Lixo vivo.
Vivo no lixo.

Dr. Bartolomeu
Bola De Bingo

Em mais um grande furo de reportagem, a equipe da Confraria do Cynar conseguiu em primeira mão a lista dos grupos de times da Copa Do Mundo de 2010.

GRUPO A

Brasil
Gana
Paraíba
Maranhão
Ilhas Canário

GRUPO B

Bósnia
Letônia
Romênia
Pensilvânia
Atlântida

GRUPO C

Samoa
Holanda
Renato Russo
Tatu
Inglaterra

GRUPO D

Joelho de Porco
Paio
Toicinho
Bigode
França

GRUPO E

Acre
Portugal
Escritório de Contabilidade Souza
Suflê
México

GRUPO F

Faranhão
Fom-Fom
Fuinha
Fefferland
Fusca

GRUPO G

Groenlândia
Groenlândia
Groenlândia
Groenlândia
Groenlândia

GRUPO H

Alemanha
Mauritânia
Terra Média
Balde
Jurandir



Ambrosino Tilésio
Promoção de Supermercado

Amigos! Vazou o manual das novas regras futebolísticas que serão aplicadas a partir do próximo ano! Incrível! No entanto, esta versão parece conter apenas um trecho. A versão completa está sendo finalizada nos corredores escuros das federações futebolísticas e cochichada entre os diversos cartolas do nosso esporte.

Segue em primeira mão este furo jornalístico fabuloso!

COMPÊNDIO DAS NOVAS REGRAS DO DESPORTO FUTEBOLÍSTICO AMADOR E PROFISSIONAL

2010

CAPÍTULO I

DA ARBITRAGEM:

Art 1 – Após alguma expulsão de jogador, o capitão do time adversário ganha um porrete que pode ser usado a cada 10 (dez) minutos de jogo;

Caput – Se o porrete for  usado mais de uma vez em menos de 10 (dez) minutos, o instrumento é transferido para para o capitão do outro time;

2- Ao invés da disputa de pênaltis em caso de empate em decisões, cada atleta entrará em um duelo de armas de fogo com o outro batedor da equipe adversária, sendo;

  • ¥- Contados 5 passos de um de costas pro outro, devem gritar FOGO e atirar. O mais rápido vencerá.
  • ¥- Todos devem trajar roupas do século XVI.

3 – Em vez do árbitro jogar uma moeda pra decidir quem começa, ganha quem falar o maior número;

  • ¥- Os jogadores devem gritar o número ao mesmo tempo.
  • ¥- Vence quem gritar o número e BINGO ao final.

4- Na marcação de pênalti, o juiz deverá fazer um solo de saxofone

5- Jogador que fingir ter sofrido falta, será substituído por uma caixa de sapato;

  • ¥- Se algum jogador chutar essa caixa de sapato, receberá cartão vermelho.

6- O árbitro sempre terá um mega-fone em mãos e cada marcação de falta terá uma palavra chave;

  • ¥-  Para faltas simples o juiz deve dizer a palavra “baquetas”
  • ¥- Para pênaltis, o juiz deve dizer a palavra “jamalelê”.
  • ¥- Para escanteios, o juiz deve dizer a palavra “André Agassi!”.
  • ¥- Para lateral, o juiz deve dizer a palavra “schnitzengrüber!”.
  • ¥- Para cartões tanto amarelos quanto vermelhos, o juiz deve dizer a palavra “triglicerídeos”.

7- Camisetas de Chuck Norris e/ou Charles Bronson são OBRIGATÓRIAS por baixo do uniforme, além das camisas de filmes cults como Laranja Mecânica e Amelie Poulain.

  • ¥- Camisas de louvor a Jesus Cristo estão proibidas

8- No caso do atleta fazer 3 gols na mesma partida, acendem-se luzes e sirenes por todo estádio e a partida entra num módulo semelhante às Olimpíadas do Faustão, e o atleta deve passar pela prova onde escolhe as portas pra atravessar;

  • ¥- São 3 portas, se ele atravessar só a primeira, vale 1 gol e assim por diante.

9- Se um gol for feito antes do jogo completar um minuto, o jogador que o fez terá direito a usar uma fantasia de robocop pelo resto do jogo

CAPÍTULO II

DA COMISSÃO DE ARBITRAGEM

Art. 1

1- Os bandeirinhas usarão fantasias de cachorro-quente;

  • ¥ no lugar de bandeiras utilizarão hashis com lenços umedecidos nas pontas

CAPÍTULO III

DOS CLUBES

Art. 1

1-       Antes das partidas os mascotes das duas equipes devem se enfrentar num jogo de damas ou gamão.

2-       O goleiro que entrar vestido de maneira mais elegante ganha imunidade no primeiro gol sofrido.

3-       Jogadores que subirem para o time profissional antes dos 21 anos terão de jogar de collant e sapatilhas até que completar a maioridade (21 anos).

4- O capitão de cada time deverá usar uma capa com a palavra CAPITÃO bordada em letras douradas.

CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES DO CAMPO

Art 1. Durante o show do intervalo serão feitos dentro de campo exames de direção para retirada de CNH (Carteira nacional de habilitação) Ver caput 932 do Código de Trânsito Brasileiro.

2- só serão aceitos anúncios e patrocínios de mercadinhos e de fabricantes de velas artesanais

3- todo estádio será obrigado a instalar um telão onde passarão durante os jogos episódio de O Gordo E O Magro

4- Antes do início de cada partida, os time deve cantar seus hinos fazendo robot dance

CAPÍTULO V

DA TORCIDA

Art 1- A torcida dos setores amarelos, independente do estádio devem obrigatoriamente ter hepatite ou serem asiáticos;

  • ¥- As do setor azul devem ser negros
  • ¥- As do setor vermelho índios

CAPÍTULO VI

DA PONTUAÇÃO NO CERTAME

Art 1 – O goleiro que sofrer o primeiro gol é obrigado a utilizar pelo resto do jogo uma fantasia de animal;

2- As cobranças de pênalti passam a ser semelhantes à do jogo rebatida, sendo:

  • ¥- Bola no travessão vale 3 (pontos);
  • ¥- Bola na trave vale 2 (pontos).

3 – Caso algum jogador faça um gol olímpico, o jogo é interrompido para a instalação de uma cesta acima do gol e o mesmo jogador tem direito a 3 (três) tentativas de cesta;

  • ¥- Caso ele erre as 3 tentativas, o gol é invalidado.

4- Ao marcar um gol, patos, gansos e galinhas devem ser soltos no campo para correrem junto com o jogador em sua comemoração

CAPÍTULO VII

DA COMERCIALIZAÇÃO DOS INGRESSOS

Art. 1- Os ingressos serão comercializados apenas sob base de troca;

  • ¥- Revistas em quadrinhos, partes de eletroeletrônicos, cosméticos e remédios vencidos serão aceitos

CAPÍTULO VIII

DAS TRANSMISSÕES TELEVISIVAS

Art. 1 – Canais de TV ligados à igreja detém todos os direitos televisivos;

2- Clássicos regionais devem ser narrados por gagos escolhidos aleatoriamente nas ruas do Rio de Janeiro;

3- A tela terá de ser divida em duas partes;

  • ¥- Uma com o jogo original e a outra com o jogo espelhado

4 – A transmissão deverá contar efeitos sonoros variados.;

5- Toda transmissão deverá homenagear os King Sizes

Parágrafo único: Este compêndio entra em vigor a partir da data da sua leitura.

Valentim Valadão diz:
*o hot pocket é bom… mas faz mal para auto-estima
*vc se sente um merda… um fodido.. é uma sensação estranha
*de estar se estragando por pouco
*se vc é alguém que não tem nada a perder na vida.. um ex-presidiário ou aidético.. vc come e só sente o lado bom da coisa.. mas se vc tem planos a médio/longo prazo.. cara… vc chora depois de comer um

Dr. Bartolomeu
Figurante De Filme Pornô.

Eu pedi um bife e o garçom me trouxe um pavão.
O que eu faço agora?
Não sou um reclamão.

Dr. Bartolomeu
Alpiste Amarelo.

Dona Madalena enxugava suas lágrimas com a gravata do seu  marido. O motivo para tanta emoção era a Orquestra de John  Malone que finalmente tocava em sua cidade.
Após 7 anos de espera, pois a turnê da Orquestra de John Malone  era mundial, finalmente Dona Madalena pode concretizar um  antigo sonho. Um sonho que ela cozinhou por tantos anos. Um  sonho que ela julgava inalcançável. Um sonho que nunca saiu de  sua cabeça. Lágrimas enxugadas, Dona Madalena respira fundo e  diz ao marido:

-Jorge. Tenho algo a lhe confessar.
-Hã? Não estou te ouvindo, queridinha. Repita.
-Eu tenho algo a lhe confessar. Jorge, preciso lhe contar  agora.

Porém o belíssimo solo dos trompetes não deixava Jorge ouvir.

-O que você está falando, Madalena? Não consigo ouvir nada.
-Jorge. Preste atenção, é muito importante. Por favor, escute.
-Madalena! Não consigo escutar uma palavra do que você diz!
-Por favor, Jorge. Seja forte. Não tenho mais como esconder  isso.

Agora era vez do solo dos marrecos. A Orquestra de John Malone  era famosa pelo seu experimentalismo.
O famoso solo dos  marrecos era o ápice da sua grande obra “O Castelo Amassado Em  Ré Menor”.

-Jorge! Preciso que você ouça! É algo muito importante!
-Madalena, meu deus do céu! Você não percebe que não consigo te  escutar com esse barulho infernal desses marrecos?

Entra em cena uma gaiola cheia de chiuauas. John Malone tira a  tampa da panela gigante que fica no centro do palco e joga  todos os cães lá dentro. É chegada a hora do movimento final.

-Por favor, me ouça agora. Jorge, é preciso que você fique  sabendo!
-Mulher! Pare com isso e assista o maldito espetáculo! Já me  cansei de suas ladainhas e choramingas sem sentido!

Patati. Patabum.
Um último acorde e o concerto termina.
Longos aplausos. Platéia em êxtase.

-Pronto, mulher. O que você queria contar para mim que é tão  importante assim?

Madalena encara o seu marido e diz:

-Agora não quero mais contar.

Ambrosino Tilésio
Bobina Enguiçada

Semana passada acordei com uma coisa estranha no bolso do meu pijama. Até onde sei, sou o único cara do planeta que ainda compra pijamas com bolso. Eles não me pareciam úteis, mas simpatizo com quaisquer tipos de bolsos. Naquela manhã, especificamente, ele mostrou trabalho.

Senti um peso estranho nele. Parecia vivo. Temi ser uma barata e preparei-me para o soco no peito, que doeria mas seria por uma causa mais nobre. Cerrei o punho direito, pensei no nocaute que Maguila levou do Holyfield e quando ia desferir o mesmo cruzado fatal, ele surgiu:

-NÃO!

Filho da mãe. Era um duende com um boné do banco nacional, aqueles que o grande Senna usava.

-Preserve-me! Sou um duende da sorte!

E eu vinha muito satisfeito com a minha vida pós-traumática. Sem remédios, sem cerveja, sem sexo, sem brigas, sem emoções. Uma vida sem sal, mas ainda assim, uma vida. Mas logo um duende da sorte? E que sorte de merda era aquela, já que ele usava o boné dum banco falido?
Estendi a mão amistosamente, esperando que ele saísse do meu bolso. Foi o que aconteceu. Da palma da minha mão, percebia o olhar curioso do pequenino. Abri a boca pra fazer uma pergunta e ele rapidamente pulou na minha garganta. Engasguei, tossi e ele voou na segunda rajada de ar. O boné ficou no gogó.

O lazarento me pedia o boné de volta, mas não tinha como pegá-lo. Era do tamanho dum pedaço triturado de coco que fica vagando pela boca após comer um prestígio. Impossível. Voltei a tentar conversar com o duende

-Escuta aqui, me explica o que você quer. Você quase me mata, eu quase te mato. Tem alguma coisa errada, e eu nem tô considerando o fato de você ter aparecido no meu bolso e estar usando um boné de banco. Que porréssa?

Ele pôs as mãos na cintura e respondeu com autoridade:

-Vim ajudá-lo. Eu ajudo as pessoas, você sabia? Sou um duende e trago sorte. Sei que você anda sem dinheiro, sem sexo, sem roupa, sem nada.
-Sem remédios…
-Sem nada! Você é tá o puro creme da derrota. Eu vim te trazer de volta à vida, rapaz. Pare de sofrer! Me dê uma moeda e verás a transformação.
-Caralho, que papo de igreja evangélica. Vá à merda, agora é que não confio mesmo em você.
-É só uma moedinha!
-Não!
-Por isso você tá fudido. Mão de vaca pra cacete, fica sem ninguém e se fode.

É, ele tinha um pouco de razão. Mas era só um pouco. Eu era mão de vaca por necessidade, os remédios eram caros. Mas eu parei com eles e continuei sovina. Foi igual ao costume criado depois do apagão: Tirava tudo da tomada depois de usar. Pensei duas vezes, três, e na quarta me dei conta da insignificância duma moedinha. Puxei 1 $ e entreguei pro duende. Ele riu e saiu correndo pelo quarto. Com ele a moeda parecia um escudo medieval, e ele a ostentava duma maneira que parecesse mesmo um escudo.

-… Ei!

Nada do duende. Ele entrou embaixo do armário. De vez em quando eu ouvia algum ruído de passadas curtas no piso. Poderia ser qualquer coisa, menos o desgraçado. Desencanei e fui pra cozinha tomar café.

Enquanto preparava o leite fiquei pensando na loucura que foi ter visto tudo aquilo. Conversado com um duende? Mas que merda. Um amigo, quando tinha 13 anos, escreveu um livro sobre duendes. Aproveitou o boom dos duendes e escreveu um livro. Foda. Eu tinha quase 20 e nunca tinha escrito nem uma carta pra alguém. Me senti um lixo.

Peguei os pães e os queijos e fui me sentar pra comer. Sentei e senti algo esquisitíssimo no reto. Algo vivo. Algo estranho. Algo estranhamente vivo passeava pelo meu rabo, e eu não tava com a menor vontade de cagar. Como estava comendo, não quis averiguar a estranheza e fiquei ali, curtindo a movimentação toda.

Na segunda mordida, percebi que não estava com o pão na mão. Nem havia queijo em lugar nenhum. Eu continuava dormindo, um pouco desacordado. Mordia meu travesseiro, apalpava o lençol. Tudo não passou de um sonho.

Olhei ao redor e nada vi. Dia lindo, um sol poético tomava conta do meu despertar. Ah, o alegre despertar. Por sorte eu não havia visto duende algum. A abstinência do remédio vinha me fazendo mal, pensei. Nisso olhei pra trás, vi o boné do Nacional na minha banda esquerda e um novo remelexo anal.

Que vida. Não era um sonho. Mas agora ele estava no pior lugar possível! E logo com uma moeda de 1 real! Cretino.

Liguei correndo pra minha tia. Ela rogou praga, eu sabia. Começou a me ameaçar quando fiz piadinhas sobre a igreja. Agora eu passei a acreditar em tudo e voltei a ter prazer sexual, automóvel do ano, uma gorda conta bancária e o amor divino. Mas algo me diz que se eu expelir o anão da moeda, tudo vai abaixo…
Depoimento de Everaldo Batério para a a igreja da pechincha

Dr. Bartolomeu
Cartucho de Atari

“Felicidade, é um purê de batata. Bém-bém, chu-chu.”

E assim, Marcelo encerrou sua vergonhosa carreira de covers abrasileirados dos Beatles.

Dr. Barolomeu
Folheto de pizzaria

- Euclides. É chegada a hora de eu relevar o mais horrível  segredo de nossa família.
- Oh céus, pai. Eu sabia que essa hora iria chegar.
- Você precisa ser forte, Euclides. É um segredo deveras  terrível.
- Então chega de rodeios, pai. Por favor, me conte esse  terrível segredo! A ansiedade está me consumindo por dentro!
- Tenha calma, Euclides. Esse segredo é tão terrível que eu não  posso lhe transmitir verbalmente. Veja. Escrevi aqui nesse  pedaço de papel. Peço que você o leia em silêncio.
- Tudo bem, pai. Irei fazer conforme você me pediu.

Silêncio enquanto Euclides lê o pedaço de papel que contém o  terrível segredo da família. Após 5 minutos, ele suspira.

- Meu Deus! Mas isso é incrivelmente terrível, pai! Como que  isso pôde acontecer durante todo esse tempo? É grotesco!
- Sim. Sim. Eu sei, meu filho. Esse é um fardo que nossa  família carrega há muitas e muitas gerações. Eu tive que  compartilhar esse segredo com você, pois é chegada a hora…
- Você quer dizer…?
- Sim, Euclides. Eu irei virar uma bailarina.

Dr. Bartolomeu
Síndrome de Down

- Vagabunda! Você cortou meu pau!
- Você fez por merecer, seu cuzão!

Soco na cara. Chute no saco. Sangue na parede.

Carlos e Suzana se amavam muito. Mas muito mesmo.
Ainda me lembro do dia do casamento deles.

- Você aceita Suzana como sua legítima esposa?
- Ela confirmou que não tem AIDS. Então aceito.

A festa foi uma loucura. Lá pelas tantas, Suzana deixou todos espantados ao colocar 3 garrafas de champagne em sua vagina.

- Vou bater o recorde mundial! Uuuuuuuuuhul!

Palmas. Gritos. Afobação.

Um dia estava passeando no centro comercial e percebi um rebuliço. Cheguei perto e eis que vejo Carlos e Suzana numa briga de facas.

- Vou cortar suas tetas, filha da puta!
- Você não é homem, Carlos. Bicha de merda!

Algum tempo depois fico sabendo que os dois tiveram 4 filhos e que vivem numa casa na praia.

Sinto saudades daqueles tempos românticos.

Dr. Bartolomeu
Purê de Batata

Claudomiro vendia balões. Um dia, comprou uma arma e atirou na primeira pessoa  que viu. Essa pessoa se chamava Mariana. Mariana acabara de comprar um par de  sapatos que tanto cobiçava. Se prostituiu por dois meses até juntar a quantia  necessária para obter os sapatos. A vendedora se chamava Letícia. Letícia estava  determinada a envenenar seu chefe, o senhor Rubens. Rubens sempre implicava com  suas funcionárias, em especial com Letícia. Ele dizia que ela era desleixada e  não cumpria suas obrigações na loja como deveria. Essas obrigações na verdade  eram as tentativas de Rubens em levar Letícia para a cama. Rubens era um gordo  seboso e careca que herdou a loja de sapatos de seu pai, Nestor. Nestor sempre  foi considerado um homem de bem. Era respeitado na comunidade e sempre estava  presente nos mais importantes eventos sociais de seu bairro. Todos o admiravam e  o respeitavam. Porém, Nestor era viciado em crack. Gastou toda a fortuna que  havia acumulado no tóxico. Após o divórcio, Nestor foi morar nas ruas. Morreu de AIDS dois anos depois.

Dr. Bartolomeu
Cirurgia de Fimose

Acordei com minhas pulgas gritando:
“Café! Café! Café!”

Putz. Que droga.

“Café! Café! Café!”

Tá bom. Caramba. Não me deixam em paz.
Esse seqüestro já dura 3 anos. Ninguém mais se lembra de mim.

“Café! Café! Café!”

Café. Maldito café.

Quando me preparo para sair, percebo que essa casa não tem portas.

Dr. Bartolomeu
Espinha Dorsal

Enquanto todos saboreavam carnes fritas no conforto do lar, Gerson Silva – mecânico – perambulava pelas ruas de sua cidade natal. Chutava tampinhas, chorava e rogava pragas diversas. “Charfundem todos na lama, miseráveis!”, gritava o infeliz mecânico.

Nada estava correto em sua vida. Gerson Silva agnava certas coisas tão peculiares como descascar limões usando uma lixa de unha. Era motivo de chacotas por causa disso? Claro que não. Porém eram tantas as afrestações que o terneavam e espurravam sua dignidade para o limbo. Gerson chegou ao cúmulo de pedir uma escova de dentes emprestada para Sílvio, o mendigo local.

Sílvio nem sempre foi um mendigo. Esculpia e vendia suas belas estátuas feitas com feijão branco. Eram um sucesso indescritível. Turistas de toda a parte do mundo visitavam a cidade apenas para comprar uma estátua feita de feijão branco. Época de fartura e luxúria. Porém tudo mudou quando o inverno de 1976 chegou. Todos se trancaram em seus porões e nunca mais ninguém comprou uma estátua feita de feijão branco. Sim, Sílvio perdeu seu ganha pão e a miséria o abraçou.

Gerson limpava o nariz com a manga esquerda de sua camiseta, quando percebeu uma luz estranha vindo em sua direção. “Não pode ser!”, pensava. Involuntariamente, Gerson começou a dançar. Freneticamente, gingava com passos descolados e modernos. Parecia que Gerson participava de algum videoclipe daquela popstar loira com seios fartos que tanto o agradava.

Gerson dançava e chorava. Grandes doses de ranho escorriam de seu nariz que outrora havia sido limpado. Lhações, grandes lhações ocorriam naquele grandioso momento. Um espetáculo audivisual só antes visto durante o show da banda Magnammus Brukläsque, cujo principal hit foi “Don’t Kiss My Dead Grandpa”.

Duas horas da tarde, Leandro entra na oficina e olha um cartaz em que Savannah Love – famosa estrela pornô da década de 70 – está deitada em cima de um tigre de pelúcia. Ele tosse duas vezes e chama a atenção de Gerson.
“Bom dia, amigo cliente. Em que posso ajudar?”
“O meu Maverick está com problemas no motor. Você quer dar uma olhada?”, diz Leandro.
“Sinto, não posso. Eu não posso!”, retruca Gerson.

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