Dr. Bartolomeu
Figurante De Filme Pornô.
Eu pedi um bife e o garçom me trouxe um pavão.
O que eu faço agora?
Não sou um reclamão.
Novembro 23, 2009
Dr. Bartolomeu
Figurante De Filme Pornô.
Eu pedi um bife e o garçom me trouxe um pavão.
O que eu faço agora?
Não sou um reclamão.
Outubro 25, 2009
Dr. Bartolomeu
Alpiste Amarelo.
Dona Madalena enxugava suas lágrimas com a gravata do seu marido. O motivo para tanta emoção era a Orquestra de John Malone que finalmente tocava em sua cidade.
Após 7 anos de espera, pois a turnê da Orquestra de John Malone era mundial, finalmente Dona Madalena pode concretizar um antigo sonho. Um sonho que ela cozinhou por tantos anos. Um sonho que ela julgava inalcançável. Um sonho que nunca saiu de sua cabeça. Lágrimas enxugadas, Dona Madalena respira fundo e diz ao marido:
-Jorge. Tenho algo a lhe confessar.
-Hã? Não estou te ouvindo, queridinha. Repita.
-Eu tenho algo a lhe confessar. Jorge, preciso lhe contar agora.
Porém o belíssimo solo dos trompetes não deixava Jorge ouvir.
-O que você está falando, Madalena? Não consigo ouvir nada.
-Jorge. Preste atenção, é muito importante. Por favor, escute.
-Madalena! Não consigo escutar uma palavra do que você diz!
-Por favor, Jorge. Seja forte. Não tenho mais como esconder isso.
Agora era vez do solo dos marrecos. A Orquestra de John Malone era famosa pelo seu experimentalismo.
O famoso solo dos marrecos era o ápice da sua grande obra “O Castelo Amassado Em Ré Menor”.
-Jorge! Preciso que você ouça! É algo muito importante!
-Madalena, meu deus do céu! Você não percebe que não consigo te escutar com esse barulho infernal desses marrecos?
Entra em cena uma gaiola cheia de chiuauas. John Malone tira a tampa da panela gigante que fica no centro do palco e joga todos os cães lá dentro. É chegada a hora do movimento final.
-Por favor, me ouça agora. Jorge, é preciso que você fique sabendo!
-Mulher! Pare com isso e assista o maldito espetáculo! Já me cansei de suas ladainhas e choramingas sem sentido!
Patati. Patabum.
Um último acorde e o concerto termina.
Longos aplausos. Platéia em êxtase.
-Pronto, mulher. O que você queria contar para mim que é tão importante assim?
Madalena encara o seu marido e diz:
-Agora não quero mais contar.
Agosto 25, 2009
Dr. Bartolomeu
Cartucho de Atari
“Felicidade, é um purê de batata. Bém-bém, chu-chu.”
E assim, Marcelo encerrou sua vergonhosa carreira de covers abrasileirados dos Beatles.
Julho 19, 2009
Dr. Barolomeu
Folheto de pizzaria
- Euclides. É chegada a hora de eu relevar o mais horrível segredo de nossa família.
- Oh céus, pai. Eu sabia que essa hora iria chegar.
- Você precisa ser forte, Euclides. É um segredo deveras terrível.
- Então chega de rodeios, pai. Por favor, me conte esse terrível segredo! A ansiedade está me consumindo por dentro!
- Tenha calma, Euclides. Esse segredo é tão terrível que eu não posso lhe transmitir verbalmente. Veja. Escrevi aqui nesse pedaço de papel. Peço que você o leia em silêncio.
- Tudo bem, pai. Irei fazer conforme você me pediu.
Silêncio enquanto Euclides lê o pedaço de papel que contém o terrível segredo da família. Após 5 minutos, ele suspira.
- Meu Deus! Mas isso é incrivelmente terrível, pai! Como que isso pôde acontecer durante todo esse tempo? É grotesco!
- Sim. Sim. Eu sei, meu filho. Esse é um fardo que nossa família carrega há muitas e muitas gerações. Eu tive que compartilhar esse segredo com você, pois é chegada a hora…
- Você quer dizer…?
- Sim, Euclides. Eu irei virar uma bailarina.
Julho 3, 2009
Dr. Bartolomeu
Síndrome de Down
- Vagabunda! Você cortou meu pau!
- Você fez por merecer, seu cuzão!
Soco na cara. Chute no saco. Sangue na parede.
Carlos e Suzana se amavam muito. Mas muito mesmo.
Ainda me lembro do dia do casamento deles.
- Você aceita Suzana como sua legítima esposa?
- Ela confirmou que não tem AIDS. Então aceito.
A festa foi uma loucura. Lá pelas tantas, Suzana deixou todos espantados ao colocar 3 garrafas de champagne em sua vagina.
- Vou bater o recorde mundial! Uuuuuuuuuhul!
Palmas. Gritos. Afobação.
Um dia estava passeando no centro comercial e percebi um rebuliço. Cheguei perto e eis que vejo Carlos e Suzana numa briga de facas.
- Vou cortar suas tetas, filha da puta!
- Você não é homem, Carlos. Bicha de merda!
Algum tempo depois fico sabendo que os dois tiveram 4 filhos e que vivem numa casa na praia.
Sinto saudades daqueles tempos românticos.
Junho 16, 2009
Dr. Bartolomeu
Purê de Batata
Claudomiro vendia balões. Um dia, comprou uma arma e atirou na primeira pessoa que viu. Essa pessoa se chamava Mariana. Mariana acabara de comprar um par de sapatos que tanto cobiçava. Se prostituiu por dois meses até juntar a quantia necessária para obter os sapatos. A vendedora se chamava Letícia. Letícia estava determinada a envenenar seu chefe, o senhor Rubens. Rubens sempre implicava com suas funcionárias, em especial com Letícia. Ele dizia que ela era desleixada e não cumpria suas obrigações na loja como deveria. Essas obrigações na verdade eram as tentativas de Rubens em levar Letícia para a cama. Rubens era um gordo seboso e careca que herdou a loja de sapatos de seu pai, Nestor. Nestor sempre foi considerado um homem de bem. Era respeitado na comunidade e sempre estava presente nos mais importantes eventos sociais de seu bairro. Todos o admiravam e o respeitavam. Porém, Nestor era viciado em crack. Gastou toda a fortuna que havia acumulado no tóxico. Após o divórcio, Nestor foi morar nas ruas. Morreu de AIDS dois anos depois.
Abril 26, 2009
Dr. Bartolomeu
Cirurgia de Fimose
Acordei com minhas pulgas gritando:
“Café! Café! Café!”
Putz. Que droga.
“Café! Café! Café!”
Tá bom. Caramba. Não me deixam em paz.
Esse seqüestro já dura 3 anos. Ninguém mais se lembra de mim.
“Café! Café! Café!”
Café. Maldito café.
Quando me preparo para sair, percebo que essa casa não tem portas.
Março 31, 2009
Dr. Bartolomeu
Espinha Dorsal
Enquanto todos saboreavam carnes fritas no conforto do lar, Gerson Silva – mecânico – perambulava pelas ruas de sua cidade natal. Chutava tampinhas, chorava e rogava pragas diversas. “Charfundem todos na lama, miseráveis!”, gritava o infeliz mecânico.
Nada estava correto em sua vida. Gerson Silva agnava certas coisas tão peculiares como descascar limões usando uma lixa de unha. Era motivo de chacotas por causa disso? Claro que não. Porém eram tantas as afrestações que o terneavam e espurravam sua dignidade para o limbo. Gerson chegou ao cúmulo de pedir uma escova de dentes emprestada para Sílvio, o mendigo local.
Sílvio nem sempre foi um mendigo. Esculpia e vendia suas belas estátuas feitas com feijão branco. Eram um sucesso indescritível. Turistas de toda a parte do mundo visitavam a cidade apenas para comprar uma estátua feita de feijão branco. Época de fartura e luxúria. Porém tudo mudou quando o inverno de 1976 chegou. Todos se trancaram em seus porões e nunca mais ninguém comprou uma estátua feita de feijão branco. Sim, Sílvio perdeu seu ganha pão e a miséria o abraçou.
Gerson limpava o nariz com a manga esquerda de sua camiseta, quando percebeu uma luz estranha vindo em sua direção. “Não pode ser!”, pensava. Involuntariamente, Gerson começou a dançar. Freneticamente, gingava com passos descolados e modernos. Parecia que Gerson participava de algum videoclipe daquela popstar loira com seios fartos que tanto o agradava.
Gerson dançava e chorava. Grandes doses de ranho escorriam de seu nariz que outrora havia sido limpado. Lhações, grandes lhações ocorriam naquele grandioso momento. Um espetáculo audivisual só antes visto durante o show da banda Magnammus Brukläsque, cujo principal hit foi “Don’t Kiss My Dead Grandpa”.
Duas horas da tarde, Leandro entra na oficina e olha um cartaz em que Savannah Love – famosa estrela pornô da década de 70 – está deitada em cima de um tigre de pelúcia. Ele tosse duas vezes e chama a atenção de Gerson.
“Bom dia, amigo cliente. Em que posso ajudar?”
“O meu Maverick está com problemas no motor. Você quer dar uma olhada?”, diz Leandro.
“Sinto, não posso. Eu não posso!”, retruca Gerson.
Março 28, 2009
Tudo o que tenho feito em minha vida apenas tem me dado noções da minha precariedade. Um sentimento de falência, certo nojo pela condição dos homens e até ternura, às vezes; quase sempre – pena. Mesmo nas etapas das quais saio vitorioso, nunca se afasta o gosto da frustração. Competir pra mim é imoral, portanto: profissional, amorosa, familiarmente, meus acontecimentos não têm me preenchido nada. De transitoriedade e de insuficiência têm-me sido essas coisas do amor, da profissão e da família. A verdade é que não consigo comunicação. Nem o exterior comigo. Eu não aprendo a aceitar nada pela metade. E é este sentimento de culpa que me fica.
João Antônio
Março 26, 2009
Dr. Bartolomeu
Adesivo Transparente
Usando todos os temperos do mundo em seu chapéu, Charline decidiu arremessar sua espada contra o corpo de Agripino.
ZAP!
A cabeça de Agripino rolava no gramado castigado pelas chuvas e framboesas aladas.
Em entrevista ao canal Jabiru News, Charline declarou:
-Não comecei a bordar gavetas ao acaso. Tudo faz parte de um grande plano das Indústrias Fernando de Agrião Em Lata.
Charline era uma garota bonita. Porém, ela tinha muitos pêlos em seus braços. Fingia gostar de filmes cults e ouvia bandas imbecis para passar uma imagem de moça descolada. Todos sabiam disso e a julgavam uma imbecil. Nada mais justo.
Um belo dia, ela entrou em seu Chevette rosa e começou a chorar. Quando perguntaram o motivo, ela respondeu:
-Não sei mais como ligar esse carro.
BUM
A Itália explodiu depois desse comentário.
Março 22, 2009
Ambrosino Tilésio
Comeu o Thom Yorke
-Humberto?
-…
-Humberto? Tá acordado?
-Hmm…
-Olha só, você vai perder a apresentação.
-Apv…zzzentasss…hm
-Acorda, Humberto!
-Quê?
-Acorda, o maestro já saiu da geladeira.
-Ah é? Eu dormi só 18 horas, bebê. Não tenho condições.
Humberto não levantou da cama.
-Humberto, o maestro saiu da geladeira e derreteu. Você perdeu a apresentação. Agora só daqui a 10 anos.
-Em 10 anos estarei morto!
-Pois então compremos um pinguim mesmo. Um só é melhor do que toda a orquestra, benhê.
-Podicrê.
Março 6, 2009
Dr. Bartolomeu
Molho de Pneu
Nunca prometi algo para alguém. Porém, ela veio me cobrar aquela merda toda. Não sei do que você está falando, garota. Volte para sua casa e prepare uma refeição quente para sua família.
Ela não suporta a verdade cuspida na cara. Ela diz que vai cortar meus testículos e fritar com azeite barato.
É possível que duas pessoas possam construir um gerador de energia renovável e ecologicamente correta? Ela disse que não. Dei dois tiros no joelho dela.
No shopping, ela grita algo que não consigo entender. O vendedor me olha com um sorriso de satisfação enquanto acaricia uma televisão de duzentas polegadas. Conto para o ventilador o resultado do jogo de futebol e vou embora.
Na janta as coisas ficam mais complicadas. Ela passou corretivo em todas minhas palavras-cruzadas. Eu digo que é o fim e saio voando pela janela. Flap. Flap. Vou parar num país onde todos se chamam Catorze.
Aquela música cujo nome não me lembro era boa. Muito boa.
Março 5, 2009
Ando em meio a um mar de mulheres, um oceano delas, e estou sedento por água doce.
Nada me convenceu de que um complexo jurídico possa abrigar mulheres pensantes. Um oceano delas, e eu ali. Me sinto um ácaro nadando em meio a girinos, que não conseguem fazer nada a não ser andar desnorteadamente para alguma direção. Tudo é grande, vistoso, impressionante, ao mesmo tempo que é oco, estúpido, vago.
Ah, boa moça de Feira. Não fique assim, longe de mim.